Eu sempre soube que queria contar histórias. Só demorei um pouco para entender em que formato.
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Foto: Acervo pessoal
Quando era criança, não precisava de audiência. Bastava um cômodo vazio e uma voz disposta — que era sempre a minha. Eu entrevistava a mim mesma, entrevistava meus pais, entrevistava quem estivesse por perto e tivesse paciência para responder.
Não era uma timidez disfarçada. Era o oposto: uma necessidade irreprimível de conversar, de perguntar, de entender o que as pessoas tinham a dizer, aumentando, assim, mais uma página no grande livro da minha cabeça.
Fazer mil e uma coisas ao mesmo tempo nunca foi problema — era meu o estado natural. O esporte também sempre esteve lá. Ballet, luta, natação, vôlei, futsal… eu experimentei um pouco de tudo. Não era questão de talento; era questão de querer estar. Quando perdi a vergonha de tentar fazer as coisas nas quais não era tão boa assim, algo mudou: eu simplesmente fui. E fui. E continuei indo. E sigo tentando, até porque parada, não se chega a lugar nenhum.
Ser jogadora definitivamente não estava nos meus planos. Mas contar o que acontece dentro e fora do campo isso, sim, sempre fez sentido para mim. Então é por isso que agora eu agradeço aqueles que desempenharam um papel fundamental nessa jornada.
Este é o meu Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo pela FAPCOM. Nele, eu conto histórias de mulheres que escolheram o jornalismo esportivo — um campo que, historicamente, foi construído sem elas, mas que diariamente lutamos para que seja um local seguro para elas.


São histórias de mulheres que entraram pela porta dos fundos, que tiveram seu trabalho questionado — às vezes em silêncio, às vezes aos berros —, que foram excluídas de coberturas, que receberam ataques nas redes sociais. Mas que, mesmo assim, continuaram aparecendo, e ousaram construir suas carreiras no chute e na dor — como diria uma das entrevistadas desta reportagem. Este projeto se chama Vozes do Esporte: Mulheres que Narram a Resistência. E ele existe porque essas histórias precisam ser contadas — e porque eu sempre quis ser uma das pessoas que as conta.
Foto: Acervo pessoal